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VERÍSSIMO, Nelson – Mulheres bomboteiras. In SANTOS, Thierry Proença dos, coord. – De uma voz a outra: Travessias. Livro de homenagem a João David Pinto Correia. Lisboa: Edições Colibri, 2020. ISBN 978-989-689-944-8. p. 291-307.

A CONDIÇÃO DE ILHÉU: ARQUIPÉLAGO DA MADEIRA

Nelson Veríssimo; Catarina Duff Burnay, coord. Lisboa: Universidade Católica Editora, 2021. ISBN 9789725407707.

Os Bons e os Maus

CAPELA DE SÃO PAULO: VER PARA CRER (E A RUÍNA ACENTUA-SE)

Foto: © Rui Marote, Setembro 2020.

O secretário regional do Turismo e Cultura disse ontem, na Assembleia Regional, que as obras de recuperação da Capela de São Paulo devem começar em 2021 (DN-Madeira, 17-12-2020, p. 7). Referindo-se a este assunto, o JM apresenta um título enganador – «Capela de S. Paulo recuperada» – para depois precisar: «A Capela de S. Paulo vai começar a ser recuperada no próximo ano, avançou Eduardo Jesus» (JM, 17-12-2020, p. 9).

Paula Cabaço, a anterior secretária regional, afirmou, em Setembro de 2018, que esperava realizar esta obra em 2019 e 2020 (DN-Madeira, 27-09-2018, p. 2).

A recuperação da Capela de São Paulo é projecto inscrito no Plano e Programa de Investimentos e Despesas de Desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira (PIDDAR) de 2019 (p. 403) e no de 2020 (p. 253).

Em Abril de 1996, Miguel Albuquerque, então presidente da Câmara Municipal do Funchal, afirmou que as pedras do imóvel histórico, destruído pela cota 40, haviam sido numeradas, e prometeu a sua reconstrução integral (DN-Madeira, 04-04-1996, p. 5).

Depois de tudo isto, mesmo que o JM apresente hoje o título «Capela de S. Paulo recuperada», ignorando (ou fingindo ignorar) que o particípio exprime uma acção acabada, fico como São Tomé: preciso ver para crer.

17-12-2020

PESTANA, João Filipe – DRC prepara recuperação da Capela de São Paulo. Diário de Notícias. Funchal. 145: 47 707 (21 Abr. 2021) 28.

Eleições na UMa

A Academia elegerá o Conselho Geral da Universidade da Madeira no próximo dia 23. Serão escolhidos, por eleição directa, onze representantes dos professores e investigadores, três representantes dos estudantes e um representante dos trabalhadores não docentes e não investigadores.

O mandato dos membros eleitos ou designados é de quatro anos, excepto no caso dos estudantes, que é de dois. Mostra-se, pois, relevante, ainda que não constitua impedimento, a idade dos candidatos, em especial dos professores e investigadores que estão a concorrer, mas que, por imperativo legal, terão aposentação obrigatória dentro de alguns meses, não podendo, por conseguinte, cumprir o mandato na íntegra.

Do Conselho Geral, fazem ainda parte seis «personalidades externas de reconhecido mérito, não pertencentes à Instituição, com conhecimentos e experiência relevantes para esta», que serão cooptados, por maioria absoluta, pelo conjunto dos membros eleitos, com base em propostas subscritas por, pelo menos, um terço daqueles membros.

De acordo com os Estatutos, «a organização da Universidade da Madeira emana do Conselho Geral que define a política estratégica de modo a explorar os pontos fortes e as capacidades da Instituição, na utilização dos recursos, das parcerias preferenciais e da avaliação eficaz do desempenho e dos resultados.»

Trata-se, pois, de um acto eleitoral de grande importância e que envolve toda a Universidade. Todavia, tornou-se prática associar a eleição do Conselho Geral à Reitoria, assumindo-se o cabeça de cada uma das listas concorrentes como candidato a Reitor. Este entendimento assemelha-se com o que habitualmente acontece, por exemplo, nas eleições da Assembleia da República ou das Assembleias Legislativas das Regiões Autónomas, nas quais se fala de futuros governos e governantes, em vez dos representantes dos eleitores, os deputados, estes sim, o objecto do sufrágio.

Assim se compreende que os proponentes das diferentes listas surjam publicamente como candidatos a reitores da UMa, quando, na verdade e por agora, estão apenas a concorrer ao Conselho Geral.

O Reitor é eleito pelo Conselho Geral, depois deste órgão aprovar o respectivo regulamento «com os procedimentos para o concurso, nomeadamente os prazos a observar no processo de candidatura e documentação a apresentar.» O processo de eleição inclui o anúncio público da abertura de candidaturas, a apresentação de candidaturas e respectivos programas, a audição pública dos candidatos, com apresentação e discussão do seu programa de acção. Só depois destas etapas, o Conselho Geral procederá à votação, por voto secreto, ganhando o candidato que obtiver a maioria.

A eleição do Reitor da Universidade da Madeira deverá realizar-se no primeiro trimestre de 2021. O que neste momento movimenta a Academia é a eleição do Conselho Geral, que ocorrerá no dia 23.

A lista com maior número de representantes no Conselho Geral terá, logicamente, papel determinante na eleição do Reitor. Cenário também possível é a formação de uma aliança estratégica entre membros daquele órgão, oriundos de diferentes listas. Mas tudo terá lugar em 2021.

As eleições para um órgão de governo da UMa deveriam, em princípio, dizer somente respeito à Academia. Contudo, nunca foi assim, e estas não escapam à prática. Prova disso é uma rádio local, associada a um periódico, promover hoje um debate com os cabeças-de-lista, o qual merecerá anunciado realce na edição de amanhã do mesmo jornal. Ouvintes e leitores desses órgãos de informação estão, por certo, muito interessados nas eleições do Conselho Geral da UMa.

Associações mais ou menos discretas, como a Maçonaria e a Opus Dei, e partidos políticos sempre trataram de colocar os seus no governo das universidades.

Lembro-me de um professor catedrático de Coimbra contar que, após ter manifestado a sua intenção de se candidatar a Reitor, alguém influente no meio académico e na política local lhe sugeriu que, antes de publicamente anunciar o seu projecto, deveria falar com a distrital do PS, pois daí dependeria o seu sucesso. Claro que este famoso professor e investigador recusou, considerando tal interferência humilhante para a Universidade. Mas certo é que não chegou a Reitor.

Na Madeira, não serão diferentes os caminhos do poder universitário, embora com muita discrição. Por aqui, há solidariedades visíveis e invisíveis. Mas pressente-se, e as redes sociais podem dar algumas indicações, no meio de uns tantos ditos independentes, uma lista A próxima do PS e a C do PSD. A lista B aparenta estar um pouco à margem das estruturas locais dos partidos e confinada às naturais aspirações de um grupo de professores não madeirenses.

Na verdade, sendo assunto interno da UMa, a eleição do Conselho Geral parece despertar e movimentar solidariedades da sociedade madeirense.

Se no século XVII, a eleição da abadessa das monjas reclusas de Santa Clara agitava os homens da governança da cidade, que, na direcção do Mosteiro, pretendiam colocar uma freira da sua família ou da sua confiança, não é de estranhar que, nos dias de hoje, alguns fora da UMa manifestem preferências e tentem usar da sua influência.

Funchal Notícias. 18 Novembro 2020