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Archive for the ‘Registos’ Category

Deus no meu caminho

– É a tua cruz… o que vais fazer?

– É a tua cruz… tens de carregá-la!

– É a tua cruz… que Deus te ajude.

Dizem-me frases como estas. Quase sempre respondo que não gosto de encarar como cruz o que de menos bom a vida me oferece. Outras ocasiões poupo nas palavras e forço um sorriso. Mas sempre recuso essa visão terrífica e anquilosante da cruz.

laurisilva

Não sei se foi Deus quem me colocou pedras no caminho. Meço os obstáculos, enfrento-os ou contorno-os. Por vezes, consigo.

Agradeço-lhe todos os dias. Peço também que me acompanhe. Nunca ouvi a sua voz. Mas tenho a certeza de que já o vi sorrir. Fico então com a sensação de vitória.

A cruz foi injustiça, sacrifício e amor. É sinal da sua presença.

O meu Deus não quer que eu carregue uma cruz. Mostra-me o caminho, deixa-me escolher e caminha comigo. E vou caminhando como posso, mas sem o peso de uma cruz que me dificultaria o andar.

Uma colega perguntou-me um dia como me era possível acreditar, ter fé. Qualquer resposta que tentasse, não a demoveria dos seus argumentos. Respondi-lhe, simplesmente, que assim era mais fácil. Soou-lhe a afirmação de analfabeto.

Já não lhe disse que não era acreditar e deixar correr. Um aceitar resignado! Não!

Era mais fácil apenas porque não estava só.

 

Nelson Veríssimo

22 jan. 2017

Texto publicado no dia 1-02-2017 no blogue

O Banquete da Palavra [http://jlrodrigues.blogspot.pt/].

http://jlrodrigues.blogspot.pt/2017/01/deus-no-meu-caminho.html

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Foto: Rui Silva, julho 2015

Foto: Rui Silva, julho 2015

Tendo desde o 25 de Abril procurado estar distante das lógicas das filiações partidárias, não deixei, porém, de acompanhar o processo político com a devida atenção e preocupação. Em textos publicados ficaram várias reflexões e notas sobre valores e projetos que as circunstâncias motivavam e a consciência cívica ditava. Agora, quase no final de uma carreira profissional, construída a pulso com muita dedicação e trabalho, considerei ser altura de apresentar-me ao sufrágio popular para as eleições à Assembleia da República nas listas do Juntos pelo Povo (JPP), partido político cuja atividade tenho acompanhado desde a sua formação e até anteriormente, enquanto movimento de cidadãos empenhados na construção de alternativas credíveis nas autarquias santa-cruzenses:

  1. Por acreditar nos valores da cidadania democrática e no JPP como partido que cultiva relações de proximidade com os cidadãos, para ouvir e esclarecer, mas também com o fim de contribuir para a resolução de problemas fundamentais.
  2. Por considerar que o JPP assegurará uma efetiva representatividade popular na Assembleia da República, tratando, numa perspetiva real, os verdadeiros problemas do Povo Português e assumindo os seus deputados os respetivos mandatos com exclusividade.
  3. Por crer que a política deve contar com a experiência dos cidadãos que, pelos seus ideais e projetos, se predispõem a disputar a confiança dos eleitores, sem propósitos de transformação do mandato ou funções numa carreira profissional.
  4. Por entender que, na presente conjuntura, o País e, em particular, a Região Autónoma da Madeira beneficiarão do contributo diverso de personalidades não anteriormente comprometidas com as decisões políticas, que conduziram Portugal à situação difícil dos dias de hoje, e que se mostram seriamente empenhadas na promoção do bem-estar das populações e na defesa da soberania da Nação Portuguesa.

NELSON VERÍSSIMO

19-07-2015

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Morreu, mas continua vivo pela sua poesia. Como já alguém disse, importante é ler a sua obra. Foi, por isso, que ele não alinhava no protagonismo mediático. E não sendo rico, recusou um prémio com valor monetário significativo. Sempre considerou a sua poesia mais importante do que o Autor.

Nasceu, no Funchal, o madeirense mais importante do século XX. Lamentavelmente, nenhuma biblioteca da sua terra possui tudo o que publicou, nem tão-pouco, o muito que sobre a obra do poeta se tem escrito.

É assim o fado português…! Não há uma biblioteca especializada em Camões, Vieira ou Pessoa. Também sobre Herberto Helder não existe. Seria uma boa homenagem, começar a constitui-la na sua terra natal.

 

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Aniversários inventados

Publicou o Jornal da Madeira (11-02-2015, p. 31) uma reportagem fotográfica sobre as comemorações dos 585 anos da Junta de Freguesia de Câmara de Lobos, que tiveram lugar no passado dia 20 de Janeiro.

As fotografias, publicadas três semanas depois da cerimónia comemorativa, são verdadeiras. Mas os 585 anos da Junta de Freguesia, mencionados no JM, são falsos. As Juntas de Freguesia surgiram, na Região Autónoma da Madeira, somente depois da Revolução do 25 de Abril.

Na página oficial da Junta de Freguesia de Câmara de Lobos, pode ler-se: «A primeira junta de freguesia de Câmara de Lobos foi instalada a 2 de Março de 1977.»

Está, portanto, mal explicado, no JM, o motivo daquela cerimónia. Há 585 anos não havia Junta de Freguesia nem em Câmara de Lobos nem em qualquer outra localidade portuguesa.

P. S. No mesmo erro, já incorreu também a Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, do concelho do Funchal, por exemplo, quando, em 2009, anunciou o seu  576.º aniversário (Diário Cidade, Funchal, Ano 3, n.º 567, 25 Set. 2009, p. 10).

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Escritos_5

GOUVEIA, Horácio Bento de, 1901-1983 – Escritos 5: Horácio Bento de Gouveia: 1960-1969. Maria de Fátima Gouveia Soares, investig. e recolha de textos; Nelson Veríssimo, 1955-, pref. [S. l.: s. n.], 2014 (imp. Braga: Oficina de S. José). ISBN 978-989-99112-0-8.

Assíduo colaborador da imprensa durante décadas, Horácio Bento de Gouveia (1901-1983) deixou-nos numerosas crónicas, narrativas e textos jornalísticos que, em boa hora, têm vindo a ser resgatados do esquecimento pelas mãos da sua filha, Maria de Fátima Ornellas de Gouveia Soares. Dessa aturada pesquisa, resultou a edição, entre 2001 e 2011, de quatro volumes de Escritos. E agora vem a lume Escritos 5, que reúne a produção bentiana dos anos sessenta.

Bento de Gouveia sentia necessidade de contribuir para a formação cultural dos leitores das publicações periódicas, em especial do Diário de Notícias do Funchal, e assim intervir no quotidiano da sociedade insular, como cidadão e escritor. A imprensa conferia-lhe visibilidade. À imprensa dava ele também brilho e dignidade pela qualidade literária da sua escrita e pertinência dos temas escolhidos, na verdade, raramente abordados por outros colaboradores ou jornalistas.

Numa crónica, publicada no Diário de Notícias em 21 de Janeiro de 1962, o escritor discorre entusiasmado sobre a leitura da imprensa, deixando breves notas acerca da importância do jornal nessa época. Não o encarava como mero órgão informativo. Realçava, outrossim, o seu papel como «divulgador de opiniões» e «construtor de ideias». E, logo mais adiante, apontava-lhe outras funções que, em muito, ultrapassavam o «jornal noticioso»: periódico doutrinário, nas letras, nas artes, na ciência, na política.

É com a intenção de contribuir para a formação da opinião pública e de educar os seus concidadãos, que, em larga medida, interpretamos a colaboração bentiana na imprensa.

Contudo, o escritor tinha plena consciência do carácter efémero das páginas dos jornais. Chegou mesmo a reconhecer que, nalguns casos, a colaboração com a imprensa, em detrimento da publicação de livros, constituía desperdício de talento literário. Em seu entender, tal acontecera com Albino de Menezes (1889-1949) e Elmano Vieira (1892-1962). Deste jornalista e escritor, afirmaria Bento de Gouveia: «[…] alinhei circunstanciada crítica ao talento literário de Elmano Vieira que, em catadupa, se ia petrificando no diário, imergindo na escuridade perpétua» (Diário de Notícias, 24-01-1960).

Na «escuridade perpétua» não cairão, por certo, os escritos de Bento de Gouveia, graças à edição deste e de outros volumes de Escritos.

A obra, agora dada à estampa, faz emergir crónicas, memórias, apontamentos de férias ou de circunstância, recensões e breves ensaios sobre efemérides, usos e costumes, livros, escritores e temas linguísticos, com reconhecido interesse para a História e a Cultura da Madeira.

 Nelson Veríssimo

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NOVIDADE EDITORIAL: UM IMPORTANTE CONTRIBUTO PARA A COMPREENSÃO DA COMUNIDADE DOS PESCADORES DA NAZARÉ, NUMA EDIÇÃO DA PRESTIGIADA L’HARMATTAN

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ESCALLIER, Christine
Les pêcheurs de Nazaré (Portugal) : l’empreinte de la mer. Denis Biget, préf. Paris : L’Harmattan, 2014. ISBN 978-2-343-03178-1.

 

Qu’est-ce qu’être pêcheur nazaréen ? L’auteur cherche ici à comprendre comment une population hétérogène à l’origine, est devenue, à partir du XIXe, une communauté. L’étude se porte sur les différents systèmes techniques de pêche artisanale, les savoir-faire, savoirs empiriques et les représentations que se font les pêcheurs de leurs territoires de pêche. L’auteur constate également que des transformations profondes affectent Nazaré, créant des bouleversements économiques et sociaux ayant pour conséquence le déclin de la pêche et du tourisme.

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Na passada sexta-feira, dia 7 de Junho de 2013, numa reunião de professores universitários, um colega apresentou-se como um ateu que, nas férias, estudava para fundamentar os seus pontos de vista no domínio da Fé. E acrescentou que nunca encontrava literatura adequada para as suas interrogações. Ficámos surpreendidos com tão insólita apresentação e sem saber o que falar, até que alguém lhe disse de forma serena e generosa: “Lê a Bíblia.”

A conversa ficou por aí.

Mais tarde, disseram-me que o colega da tão sábia resposta era luterano.

Grande lição!

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