Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Dezembro, 2017

Lapinha de poesia: antologia de poetas madeirenses reúne vinte e seis vozes do Natal na Ilha, ilustradas com figuras de presépio do acervo da Casa-Museu Frederico de Freitas.

São leituras poéticas de um tempo cristão, que se conjuga harmoniosamente com um maravilhoso popular, ingénuo e criativo.

Nesta Lapinha, convivem recriações da Natividade, visões líricas e intimistas, vivências, memórias, saudades, preces, apelos e registos etnográficos da Festa.

Os poetas antologiados são apresentados por ordem cronológica com base na data de nascimento.

Trata-se de uma antologia com composições significativas para a compreensão do Natal na Ilha, numa perspetiva poética.

Poetas representados: Baltasar Dias, Eugénia Rego Pereira, Cabral do Nascimento, Octávio de Marialva, Alfredo Vieira de Freitas, João França, Florival de Passos, Henrique Pereira, Herberto Helder, João Carlos Abreu, Irene Lucília Andrade, José Martins Júnior, Ângela Varela, António José Vieira de Freitas, José Viale Moutinho, Dalila Teles Veras, Guilhermina da Luz, João Dionísio, Fátima Pitta Dionísio, António Manuel Loja Neves, José Baptista Fernandes, José António Gonçalves, Teresa Jardim, José Tolentino Mendonça, Laura Moniz, José Luís Rodrigues.

LAPINHA DE POESIA: ANTOLOGIA DE POETAS MADEIRENSES
Nelson Veríssimo, org. António Fournier, pref. Funchal: Imprensa Académica, 2017. ISBN 978-989-54002-0-1.

 

05-01-2018

Com agrado recebi a notícia de que a Lapinha de Poesia está esgotada na editora. Haverá, todavia, nova reimpressão em breve, para quem quiser adquirir uma colectânea de poemas natalícios de autores madeirenses, ilustrados com figuras de presépio do acervo da Casa-Museu Frederico de Freitas. Raramente fica esgotada uma edição na Madeira, mas desta vez aconteceu. Como o produto da venda deste livro destina-se a apoio social de estudantes da Universidade da Madeira, fiquei duplamente grato pelo reconhecimento  público deste projeto.

 

O QUE DISSERAM…

http://sensoconsenso.blogspot.pt/2017/12/ilha-natal-de-ontem-e-de-hoje.html

 

 

Anúncios

Read Full Post »

A celebração litúrgica do Natal na Madeira inicia-se com as novenas, denominadas Missas do Parto. A primeira ocorria a 16 de Dezembro e a última a 24. Mas, nos dias de hoje, na maioria das paróquias, iniciam-se a 15 e terminam a 23. São, geralmente, celebradas ao romper da aurora, entre as 5 e as 7 h da manhã.

É costume antigo e documentado na ilha, pelo menos desde os finais do século XVII.

Estas novenas em honra da Virgem do Parto têm a sua origem na solenidade da Expectação do Parto da Santíssima Virgem, celebrada a 18 de Dezembro e nos dias seguintes antes do Natal. Eram muito conhecidas as antífonas rezadas nesta semana de devoção particular ao parto de Maria. Começavam todas pela letra Ó, e por elas se explica a designação popular de festa de Nossa Senhora do Ó.

As Missas do Parto são muito participadas, inclusive por pessoas que, habitualmente, não frequentam a Igreja. Para estas celebrações há cânticos próprios, alguns de origem desconhecida, que a maioria dos fiéis sabe de cor.

A ida para a igreja, quando não era frequente a utilização do automóvel, motivava a formação de grupos, nos diferentes sítios. O som do búzio servia para anunciar a hora da concentração. Gaitas, pifes, machetes, pandeiros, castanholas e outros instrumentos proporcionavam inusitada folia pelo amanhecer, a que não faltavam foguetes e bombas.

Na actualidade, há grupos que percorrem diversas paróquias numa espécie de romaria das Missas do Parto.

Terminada a missa, o adro da igreja converte-se em animado lugar de convívio, com partilha de bebidas quentes, em especial o cacau, canja, licores, broas e rosquilhas.

Entre 8 de Dezembro e o início das Missas do Parto, começam as tradicionais matanças de porcos para a Festa, costume que se mantém vivo fora dos aglomerados urbanos, dando lugar a convívios de familiares e amigos que repartem petiscos e bebidas, enquanto decorre a função. A carne de porco é essencial para os pratos da Festa. Contudo, raramente se verifica a produção de enchidos.

Igualmente, estas datas servem para «deitar as searas de molho». No dia de Nossa Senhora da Conceição, põe-se o milho a hidratar. Na primeira Missa do Parto, o trigo, a lentilha, o tremoço, a alpista ou o chícharo. Quando começam a germinar, plantam-se as gramíneas ou as leguminosas em pequenos vasos de barro com terra, que são regados amiúde. Pela Festa, as searinhas já crescidas são colocadas na lapinha.

O armar da lapinha acontecia habitualmente nas vésperas do dia de Natal. Nos dias de hoje, ocorre mais cedo. Em algumas casas, no dia de Nossa Senhora da Conceição ou na primeira Missa do Parto já a lapinha está armada.

Dias antes da Festa, preparam-se licores e doces, bastante apreciados nesta época. A amassadura dos bolos de mel mobilizava a família, não somente na sua confecção em casa, ao redor de um grande alguidar, mas também na cozedura, que, no passado, se fazia, habitualmente, nos fornos das padarias. Além desta especialidade tradicional, preparam-se broas de manteiga, de mel ou de coco e rosquilhas. Quanto às bebidas licorosas, são muito reputados os licores de anis, maracujá e tangerina, bem como o tim-tam-tum.

No dia 23 de Dezembro, para o Mercado dos Lavradores, no Funchal, convergem numerosas pessoas. É a denominada «noite do mercado». No início deste século, transformou-se num acontecimento festivo, com cobertura televisiva e animação programada. Desde há cerca de trinta anos, um grupo de amigos tem vindo a animar esta noite com cânticos de Natal na praça do peixe do Mercado dos Lavradores.

Anteriormente, o mercado atraía a população funchalense pela oferta de produtos hortícolas frescos, fruta em abundância, pinheiros e outras ramas verdes para as ornamentações tradicionais, brinquedos e bugigangas. O ajuntamento de pessoas proporcionava também momentos de diversão, com cantigas e despiques dentro do mercado e nas ruas limítrofes durante toda a noite. As tascas desta zona eram muito frequentadas pelas bebidas e sandes de carne de vinho e alhos ou de fígado, que preparavam para os vendedores e clientes do mercado.

A actual «noite do mercado» movimenta milhares de pessoas, já não tanto pela necessidade de comprar o que ali se oferece, mas pela diversão e o convívio que proporciona.

E tudo fica pronto para a Festa. Convém, todavia, lembrar as palavras do poeta José Tolentino Mendonça:

O Natal não é ornamento: é movimento

Teremos sempre de caminhar para o encontrar!

 

Funchal Notícias. 13 Dezembro 2017

 

Da ‘Festa’, as vésperas

Read Full Post »