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Archive for Junho, 2016

Regicídio

Em 1908, tinha-se consciência de que a monarquia, em Portugal, caminhava para o fim. Republicanos, mas também muitos monárquicos, odiavam D. Carlos. Já no início do reinado, recebera o cognome de “o Último”.

O governo ditatorial de João Franco, promovido pelo rei em Maio de 1907, veio aumentar a contestação à Coroa. Mas, na verdade, a agitação antidinástica remontava ao início da década de 90, com a crise decorrente do conflito diplomático com a Inglaterra por questões coloniais, em especial, o “mapa cor-de-rosa”.

D. Carlos temia um atentado. No seu tempo, vários chefes de estado e aristocratas tinham sido assassinados. O príncipe D. Luís Filipe, quando acompanhava o pai, levava sempre a mão no revólver.

Rebentavam engenhos explosivos em Lisboa. Em 28 de Janeiro, eclodiu uma tentativa de golpe para neutralizar João Franco e proclamar a República ou apenas depor o rei, na qual participou o visconde da Ribeira Brava, entre outros dissidentes progressistas, republicanos e carbonários.

D. Carlos no dia 31 assinou, em Vila Viçosa, o decreto do desterro, que previa a retirada das imunidades parlamentares e determinava a pena de degredo para o Ultramar para todos os que atentassem contra a “segurança do Estado, tranquilidade pública e interesses gerais da Nação”.

No dia seguinte, os soberanos e o príncipe herdeiro regressaram a Lisboa. No final da tarde, a carruagem real descoberta foi alvejada quando saía do Terreiro do Paço em direcção à Rua do Arsenal. Alfredo Luís da Costa matou o rei e Manuel dos Reis da Silva Buíça assassinou o príncipe D. Luís Filipe. Os dois regicidas foram, de imediato, mortos pelas forças policiais.

O Diário de Notícias deu conta do duplo assassinato em 3 de Fevereiro, pois a notícia, por comunicação telegráfica, só foi conhecida no Funchal na manhã do dia anterior, já depois de publicada a respectiva edição. Contudo, na tarde do dia 2 saiu um suplemento sobre o trágico acontecimento.

Na edição de 3 desse mês, o editorial, marcado com uma tarja preta, certamente da autoria do redactor principal, Ciríaco de Brito Nóbrega, condena a “tragédia sangrenta” que toda a Nação Portuguesa deveria lamentar, “postas de parte, nesta hora de angústia e de luto, as paixões políticas, os ressentimentos pessoais, os ódios de seita.”

Até ao dia dos funerais, o DN noticiou várias manifestações de luto e cumprimentos de condolências de entidades oficiais e civis. Foram também cancelados vários eventos, como, por exemplo, o baile em benefício do Asilo de Mendicidade e Órfãos do Funchal, um Te Deum na Igreja do Colégio e um sarau literário e musical no Paço Episcopal. Alguns estabelecimentos de ensino, como o Liceu, permaneceram encerrados por alguns dias.

No dia 10 de Fevereiro, para assinalar os funerais régios, realizou-se uma missa de Requiem na Sé do Funchal. Os estabelecimentos de comércio encerraram por sugestão do presidente da Associação Comercial do Funchal. Ocorreram também serviços religiosos, em homenagem ao rei e príncipe assassinados, no Templo Escocês da Rua do Conselheiro, promovido pela Igreja Evangélica Portuguesa, e na Igreja Anglicana.

Um madeirense alvejado pelas forças policiais: acaso ou engano fatal?

Os regicidas ficaram na História pelo crime cometido. E logo se desenvolveu insólito culto à sua memória, como se fossem heróis, que se traduziu na edição de postais, romagens às suas sepulturas, reportagens na imprensa, subscrições em favor dos seus parentes e construção de um mausoléu no cemitério do Alto de São João pela Associação do Registo Civil e do Livre Pensamento, que o Estado Novo mandou demolir.

Mas pouco se fala de João Sabino da Costa, o madeirense com 21 anos de idade, abatido violentamente pela polícia e, nos primeiros dias, tido como suposto regicida. Natural de Santa Maria Maior, mudara-se para Lisboa, conjuntamente com a sua mãe, Brígida Teixeira Costa, no estado de viúva.

Por altura da sua morte, era caixeiro da ourivesaria de J. P. Vella & C.ª, na Rua do Arsenal. Nesse dia fatídico, foi ao correio enviar algumas cartas do seu patrão e acabou por ser baleado pelos agentes policiais.

Uma testemunha, o ourives João Rodrigues Colaço, das Caldas da Rainha, dirigiu uma carta ao Mundo, que o DN reproduziu, dando conta de que não se tratou de uma bala perdida, como a imprensa de início noticiara, mas sim de um acto violento da polícia sobre um homem inocente:

Na tarde de 1 de Fevereiro, encontrando-me eu em Lisboa para tratar dos meus negócios, e estando em um escritório no largo do Pelourinho, ouvi gritos que me levaram à janela, vendo então que à porta principal do edifício da Câmara Municipal, que tem frente para o largo do Pelourinho, estava um homem de estatura regular, de bigode, gritando que não o matassem. Estava rodeado de alguns polícias, os quais o espancavam, aparecendo nesse momento um [da] polícia secreta que lhe deu uma grande bengalada. Em seguida, um guarda fardado apontou-lhe o revólver e deu-lhe um tiro, que o fez cair redondamente no chão, depois dois polícias levaram o morto arrastado pelo chão como se fosse um cão.

Confundido com os regicidas, João Sabino da Costa foi “vítima da perturbação ou estupidez daqueles a quem estavam confiadas a segurança individual e a manutenção da ordem pública no local da hedionda tragédia”, “e todos também lastimam que o tiro que o matou tivesse partido da mesma polícia brutal, inepta e imprevidente que não soube guardar e defender as preciosas vidas do chefe do Estado e do seu presuntivo herdeiro”, como se escreveu no Diário de Notícias, de 7 de Fevereiro de 1908.

Diário de Notícias. Funchal. 140: 45 946 (20 Jun. 2016) 4-5.

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Fátima Veríssimo

FátimaVeríssimo

Fátima Maria Gomes de Aguiar Veríssimo

Nasceu na freguesia de São Pedro do concelho do Funchal em 19 de novembro de 1955.

Cursou, no Funchal, o Liceu Jaime Moniz e a Escola do Magistério Primário.

Pertenceu à primeira equipa feminina de basquetebol da Madeira, fundada em 1971, pelo Grupo Desportivo Alma Lusa. Foi também treinadora deste clube na época de 1982-83, possuindo o cartão n.º 1171 emitido pela Federação Portuguesa de Basquetebol. Praticou ainda esta modalidade no Club Sport Marítimo.

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Convite para o evento comemorativo do 35.º aniversário do "Alma Lusa" e homenagem às suas atletas de basquetebol feminino. 1 de junho de 1989.

Convite para o evento comemorativo do 35.º aniversário do “Alma Lusa” e homenagem às suas atletas de basquetebol feminino. 1 de junho de 1989.

Iniciou a sua atividade profissional em outubro de 1975, no ensino primário, na Escola das Romeiras, da freguesia do Estreito de Câmara de Lobos.

Primeiros alunos. “Dia Mundial da Infância”, 7 de outubro de 1975, Escola das Romeiras, Estreito de Câmara de Lobos.

Primeiros alunos. “Dia Mundial da Infância”, 7 de outubro de 1975, Escola das Romeiras, Estreito de Câmara de Lobos.

Desenvolveu a atividade docente em diversos estabelecimentos de ensino oficial nos concelhos de Câmara de Lobos (Romeiras; Igreja – Estreito de Câmara de Lobos; Foro), da Ribeira Brava (Lombo de São João) e do Funchal (Igreja – São Martinho; Ajuda; Ilhéus; Cruz do Carvalho). No final da sua carreira profissional era professora do Quadro de Nomeação Definitiva de Escola, titular da Escola Básica do 1.º ciclo de Igreja – São Martinho, Funchal.

Presença da escritora Bernardete Falcão na Escola do Foro para assistir à representação da peça de teatro da sua autoria, 'Andorinha e as árvores falantes' (Funchal, 1983), e ser entrevistada pelos alunos daquela escola, numa iniciativa da Prof.ª Fátima Veríssimo.

Presença da escritora Bernardete Falcão na Escola do Foro para assistir à representação da peça de teatro da sua autoria, ‘Andorinha e as árvores falantes’ (Funchal, 1983), e ser entrevistada pelos alunos daquela escola, numa iniciativa da Prof.ª Fátima Veríssimo.

Metodóloga do estágio dos alunos do curso do Magistério Primário nos anos oitenta, colaborou também, como formadora, com o CIFOP – Centro Integrado de Formação de Professores da Universidade da Madeira.

Exerceu funções de animadora pedagógica e de diretora das Escolas Básicas do 1.º ciclo dos Ilhéus e da Cruz do Carvalho.

Promoveu diversos projetos educativos europeus com escolas da Alemanha (Leverkusen), Espanha (Projeto “IBERCA – Civilizações Antigas: os Iberos na Catalunha”: Calafell) e Itália (Civilizações Antigas: os  Etruscos: Goito – Mantova).

Sessão de cumprimentos às autoridades da Comuna de Goito, Itália. Novembro de 1998.

Sessão de cumprimentos às autoridades da Comuna de Goito, Itália. Novembro de 1998.

De outubro de 2001 até à sua aposentação em 2008, trabalhou na Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal, em projetos de educação ambiental.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Publicou:

Ouvir e aprender: histórias sobre o ambiente. Alunos do 1.º ciclo do ensino básico de diversas escolas do Funchal, il. Funchal: Câmara Municipal – Divisão de Educação, 2003.

Madeira, arca de tesouros: quatro histórias. Elisabete Henriques, il.; Eugénio Santos, il.; Nélia Susana, il.; Sónia Dória, il. Funchal: Associação dos Amigos do Parque Ecológico do Funchal, 2008. ISBN 978-972-99549-2-4.

O voo do bis-bis. Sónia Dória, il. Funchal: Câmara Municipal – Divisão de Educação, 2012.

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Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

Foto: Divisão de Educação da Câmara Municipal do Funchal.

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