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Archive for Setembro, 2014

A NOS-MADEIRA E O CLIENTE

Por não ter concordado com determinado procedimento da NOS [1], entreguei no balcão da loja da Nazaré, concelho do Funchal, uma exposição, pedindo que o assunto fosse reconsiderado.

Passadas duas horas, recebo uma chamada telefónica do n.º 211543547, e uma senhora, hábil na gíria das relações públicas, informou-me do indeferimento.

Solicitei então que enviasse resposta por escrito, pois havia apresentado requerimento dirigido à administração, possuindo fotocópia de entrada. De início, a dita funcionária recusou, mas, depois da minha insistência e um compasso de espera, provavelmente para consultar uma chefia, informou-me de que a NOS daria resposta por escrito se eu reenviasse a exposição por correio registado com aviso de recepção.

Não concordei com isto e refutei com base na lei.

Resultado: a chamada caiu (?) e aquele número de telefone da NOS ficou, a partir daí, inacessível.

Parece que a NOS só argumenta ao telefone.

 

[1] Empresa que oferece soluções fixas e móveis para Televisão, Internet e Voz, em serviços de banda larga.

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Escritos_5

GOUVEIA, Horácio Bento de, 1901-1983 – Escritos 5: Horácio Bento de Gouveia: 1960-1969. Maria de Fátima Gouveia Soares, investig. e recolha de textos; Nelson Veríssimo, 1955-, pref. [S. l.: s. n.], 2014 (imp. Braga: Oficina de S. José). ISBN 978-989-99112-0-8.

Assíduo colaborador da imprensa durante décadas, Horácio Bento de Gouveia (1901-1983) deixou-nos numerosas crónicas, narrativas e textos jornalísticos que, em boa hora, têm vindo a ser resgatados do esquecimento pelas mãos da sua filha, Maria de Fátima Ornellas de Gouveia Soares. Dessa aturada pesquisa, resultou a edição, entre 2001 e 2011, de quatro volumes de Escritos. E agora vem a lume Escritos 5, que reúne a produção bentiana dos anos sessenta.

Bento de Gouveia sentia necessidade de contribuir para a formação cultural dos leitores das publicações periódicas, em especial do Diário de Notícias do Funchal, e assim intervir no quotidiano da sociedade insular, como cidadão e escritor. A imprensa conferia-lhe visibilidade. À imprensa dava ele também brilho e dignidade pela qualidade literária da sua escrita e pertinência dos temas escolhidos, na verdade, raramente abordados por outros colaboradores ou jornalistas.

Numa crónica, publicada no Diário de Notícias em 21 de Janeiro de 1962, o escritor discorre entusiasmado sobre a leitura da imprensa, deixando breves notas acerca da importância do jornal nessa época. Não o encarava como mero órgão informativo. Realçava, outrossim, o seu papel como «divulgador de opiniões» e «construtor de ideias». E, logo mais adiante, apontava-lhe outras funções que, em muito, ultrapassavam o «jornal noticioso»: periódico doutrinário, nas letras, nas artes, na ciência, na política.

É com a intenção de contribuir para a formação da opinião pública e de educar os seus concidadãos, que, em larga medida, interpretamos a colaboração bentiana na imprensa.

Contudo, o escritor tinha plena consciência do carácter efémero das páginas dos jornais. Chegou mesmo a reconhecer que, nalguns casos, a colaboração com a imprensa, em detrimento da publicação de livros, constituía desperdício de talento literário. Em seu entender, tal acontecera com Albino de Menezes (1889-1949) e Elmano Vieira (1892-1962). Deste jornalista e escritor, afirmaria Bento de Gouveia: «[…] alinhei circunstanciada crítica ao talento literário de Elmano Vieira que, em catadupa, se ia petrificando no diário, imergindo na escuridade perpétua» (Diário de Notícias, 24-01-1960).

Na «escuridade perpétua» não cairão, por certo, os escritos de Bento de Gouveia, graças à edição deste e de outros volumes de Escritos.

A obra, agora dada à estampa, faz emergir crónicas, memórias, apontamentos de férias ou de circunstância, recensões e breves ensaios sobre efemérides, usos e costumes, livros, escritores e temas linguísticos, com reconhecido interesse para a História e a Cultura da Madeira.

 Nelson Veríssimo

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