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Archive for Fevereiro, 2009

 

Na passada sexta-feira, ocorreu o primeiro centenário da morte de Joaquim Pestana, poeta nascido em Câmara de Lobos a 24 de Dezembro de 1840 e que morreu no Funchal em 6 de Fevereiro de 1909.

 

Na agenda Câmara de Lobos – Município da Cultura, 2009, a data não foi assinalada.

 

Diversas vozes, em várias épocas, chamaram a atenção para a obra literária de Joaquim Pestana, a fim de não cair na tumba do esquecimento. Igualmente, muitos têm sido os apelos para que a Câmara Municipal de Câmara de Lobos edite a sua produção poética, inédita ou dispersa por publicações periódicas.

 

Em 1990, por ocasião do 150.º aniversário do seu nascimento, José António Gonçalves (1954-2005), na revista Girão, dedicou um artigo ao poeta e anunciou que a edilidade câmara-lobense se mostrava sensível à publicação de um volume de poesia de Joaquim Pestana.

 

Nesse artigo, Gonçalves surge como «coordenador da próxima edição de Espinhos e Flores, de Joaquim Pestana, a ser lançada com o patrocínio da Câmara Municipal de Câmara de Lobos».

 

Deste projecto editorial falou também José António Gonçalves, com o entusiasmo que lhe era característico, num programa Pôr-do-Sol da RTP-Madeira, conjuntamente com Manuel Pedro Freitas. Aí anunciou a edição da obra, que preparava, na colecção Terra à vista, por si idealizada, da editora Arguim. Revelou ainda ter consultado os inéditos de Joaquim Pestana, então na posse do Engenheiro João Francisco Ferreira, nomeadamente a colectânea Espinhos e Flores.

 

A prometida edição não chegou, porém, a concretizar-se. Contudo, Manuel Pedro disponibilizou, em Câmara de Lobos: dicionário histórico, corográfico e biográfico, uma colectânea de poemas e textos de Joaquim Pestana, alguns dos quais publicados anteriormente na revista Girão [1].

 

Espinhos e Flores é o título da colectânea de poemas que Joaquim Pestana preparou para edição, mas que não chegou a vir a lume. Já em 1901, o poeta referia a intenção de publicar este livro.

 

O Padre Eduardo Pereira (1887-1976) herdou este inédito e outras espécies do acervo do poeta câmara-lobense, seu amigo, e a quem assistiu na hora da morte. Tanto este sacerdote católico quanto o Visconde do Porto da Cruz, na década de 50 do século passado, lembraram à Câmara Municipal de Câmara de Lobos a necessidade de editar Espinhos e Flores.

 

Referindo-se à imprescindível antologia do poeta, Eduardo Pereira escreveu, com mágoa, em 1959: «Fica a iniciativa para quando houver em Câmara de Lobos uma edilidade que, interessando-se por resgatar a memória do poeta do laconismo e lamentável esquecimento em que vive, lhe fizer justiça e o impuser à admiração dos seus conterrâneos, presentes e vindouros.»

 

Nos anos 90 do século passado, com Manuel Pedro Freitas, José António Gonçalves e José de Sainz-Trueva, sugerimos a publicação da obra de Joaquim Pestana à Câmara Municipal de Câmara de Lobos. No entanto, até hoje não se verificou a esperada e merecida edição em livro.

 

Estando estatisticamente demonstrado o pouco investimento da maioria das autarquias na Cultura, nunca é por demais insistir na necessidade de associar o município da Cultura a iniciativas duradouras. Espectáculos, torneios desportivos, cortejos, iluminações, fogo de artifício, arraiais, tudo isso é atractivo, enche o olho do eleitor, mas é efémero. Pouco tempo depois nada ficará na memória. Urge, pois, investir naquilo que perdura. Um livro, por exemplo, será útil a muitas gerações e permanecerá disponível durante largo tempo.

 

Assim, a Câmara Municipal de Câmara de Lobos tem, neste ano festivo, a obrigação moral de resgatar a memória de Joaquim Pestana, promovendo a edição de uma antologia da sua poesia e celebrando a memória de um distinto homem de letras que, no seu tempo, engrandeceu a terra que o viu nascer e divulgou-a até onde chegou a sua escrita.

 

Diário de Notícias, Funchal, 8 de Fevereiro de 2009

 

 


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