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Archive for Outubro, 2008

Hoje, dia 17 de Outubro de 2008, pelas 21:30, no púlpito do lado do Evangelho da Igreja do Colégio dos Jesuítas, da cidade do Funchal, o actor Luís Miguel Cintra leu o Sermão de Quarta-Feira de Cinza, pregado em Roma, na Igreja de Santo António dos Portugueses, pelo Padre António Vieira, no ano de 1672.

O evento enquadrou-se nas comemorações do IV Centenário do Nascimento do Padre António Vieira (1608-1697).

Lido, de forma brilhante,  pelo consagrado actor, este sermão recorda-nos o lado efémero da vida e a necessidade de cada um de nós “viver como quereríamos ter vivido na hora da morte”.

Adverte-nos ainda Vieira:

“Ah serpentes astutas do mundo, vivas e tão vivas! Não vos fiéis da vossa vida nem da vossa viveza; não sois o que cuidais, nem o que sois; sois o que fostes e o que haveis de ser […] se foi terra e há-de ser terra, é terra: se foi nada e há-de ser nada, é nada; porque tudo o que vive neste mundo, é o que foi e o que há-de ser. Só Deus é o que é; mas por isso mesmo.”

“Cuida o ilustre desvanecido que é de ouro, e todo esse resplendor em caindo, há-de ser pó de terra. Cuida o rico inchado que é de prata, e toda essa riqueza em caindo há-de ser pó, e pó de terra. Cuida o robusto que é de bronze, cuida o valente que é de ferro, um confiado, outro arrogante; e toda essa fortaleza, e toda essa valentia em caindo, há-de ser pó, e pó de terra.”

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A aclamação da revolução republicana de 5 de Outubro, no Funchal, foi a primeira de várias, ao longo do século XX. Com maior ou menor prontidão, os funchalenses sempre apoiavam os movimentos que eclodiam na capital. A última grande manifestação aconteceu no 1.º de Maio de 1974. Mais do que o “Dia do Trabalhador”, aplaudiu-se, então, entusiasticamente, a “Revolução dos Cravos”.

 

Só em 1931, com a Revolta da Farinha e a Revolução da Madeira, e cinco anos depois, com a Revolta do Leite, o Funchal foi palco de significativos protestos contra as directrizes políticas do Poder Central, protagonizadas por Oliveira Salazar.

 

O Funchal viveu tempos difíceis durante as duas guerras mundiais. Na Grande Guerra, sofreu bombardeamentos em Dezembro de 1916 e no mesmo mês do ano seguinte. O movimento do porto do Funchal diminuiu drasticamente. A carência de bens alimentares, a inflação e o desemprego atormentavam os ilhéus. Na Segunda Guerra Mundial, repetiram-se as dificuldades, apesar da “neutralidade” portuguesa. 

 

Em 1901, o Funchal alcançou um regime de autonomia administrativa idêntico ao dos distritos de Ponta Delgada e Angra. É o início de um percurso que culminou com a autonomia política e administrativa, gerada com a revolução democrática, consagrada na Constituição de 1976 e institucionalizada com o Estatuto Provisório da Região Autónoma da Madeira, do mesmo ano.

 

A autonomia transformou a imagem do Funchal, tanto no período da denominada “Madeira Velha”, quanto depois do 25 de Abril. Profundas alterações urbanas procuraram adaptar a velha cidade quinhentista aos tempos modernos, muitas vezes sem ter em conta o devido respeito pela herança cultural.

 

Do Estado Novo, são exemplos significativos, a ampliação do porto, as Avenidas do Mar, do Infante e de Zarco, a Rua Dr. Fernão de Ornelas, os edifícios da Junta Geral do Distrito, do Liceu, do Mercado dos Lavradores, do Tribunal do Funchal, da Alfândega, da ‘Casa da Luz’, o arranjo urbanístico da Praça do Município ou da Rotunda do Infante.

 

Da “Madeira Nova”, entre outros, são de registar a Marina do Funchal, a implementação de zonas pedonais, as novas vias de acesso, praças, rotundas e parques de estacionamento, o surto de construção habitacional, inclusive a de carácter social, a proliferação de esplanadas, novas unidades hoteleiras, centros comerciais, espaços de diversão nocturna e de lazer, edifícios destinados à investigação e promoção do conhecimento, como o Madeira Tecnopolo, a Universidade ou a Estação de Biologia Marinha. Refira-se também a renovação dos transportes públicos urbanos.

 

O Funchal virou-se para o mar, aproveitando as potencialidades do litoral, mas, lamentavelmente, esquecendo, por vezes, tratar-se de um bem comum. Todavia, a cidade perdeu o velho estatuto de porta da ilha, a partir do momento em que quase todo o transporte de passageiros passou a fazer-se por avião.

 

A macrocefalia do Funchal remonta aos tempos da fundação da cidade, mas acentuou-se no século XX, sobretudo até à década de oitenta. Segundo os Censos de 2001, 42,5% da população da RAM residia no concelho do Funchal. No entanto, a cidade, propriamente dita, perdeu, nas últimas décadas, significativo número de moradores.

 

A freguesia da Sé, por exemplo, nos mesmos Censos, apresentava 2148 residentes, ou seja menos de metade dos habitantes de 1722, ano em que estavam arroladas 4555 almas. A tendência de desertificação da cidade do Funchal não constitui dado positivo e acompanha perigosa inclinação de outros centros urbanos.

 

No último quartel de Novecentos, as formas de convívio e de sociabilidade mudaram radicalmente. Os hábitos também. O acesso generalizado à Escola, à Cultura e aos ‘media’ proporciona outra abertura mental, perceptível no quotidiano funchalense.

 

Com o Governo Regional da Madeira melhorou consideravelmente a educação, pela edificação de novas escolas, disponibilização de meios e recursos humanos anteriormente inexistentes, e desenvolvimento de projectos inovadores, alguns dos quais adoptados, posteriormente, a nível nacional.

 

Por fim, é de salientar a criação, em 1988, da Universidade, ideia que remonta, pelo menos, a 1965, quando, na Assembleia Nacional, na sessão de 23 de Abril, o deputado Dr. Agostinho Cardoso solicitou, ao Ministro da Educação, a criação de Estudos Universitários na Madeira, alegando, entre outros factores, a existência de 4603 estudantes matriculados, em estabelecimentos secundários e técnicos, oficiais e particulares.

 

Diário de Notícias, Funchal, 5 de Outubro de 2008

 

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