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Archive for Maio, 2008

 

 

 

 

 

No intuito de divulgar o Quinto Centenário da cidade do Funchal, uma jornalista da SIC solicitou-me, numa entrevista exibida no passado dia 1, que, em cinco momentos, abordasse a história desses quinhentos anos. Ocorreu-me, então, salientar os acontecimentos mais marcantes de cada século de vida da capital madeirense. De forma mais elaborada, mas, forçosamente, sucinta, procurarei também responder a esse desafio no Diário.  

 

A elevação do Funchal a cidade corresponde a um projecto do Senhor do Arquipélago, o duque D. Manuel, mais tarde rei de Portugal, que, tendo em conta o sucesso do povoamento e a prosperidade económica da ilha da Madeira, decorrente da produção e do comércio do açúcar, pretendia fundar, no Funchal, uma diocese com jurisdição sobre os territórios de além-mar. Com esse objectivo, o donatário traçou um plano urbanístico para o centro da vila, onde avulta a construção de uma igreja (a Sé) e a Casa do Concelho.

 

A nova igreja foi benzida em 1508 pelo bispo de anel, D. João Lobo, o primeiro prelado que visitou a ilha.

 

A 21 de Agosto desse ano, estando o novo templo quase concluído, o rei Venturoso atribuiu à vila o estatuto de cidade, considerando o seu desenvolvimento e a qualidade dos seus moradores e esperando maior “acrescentamento” do Funchal.

 

Inicia-se, então, o processo de criação da diocese com sede na nova cidade. Uma bula do papa Leão X, de 12 de Junho de 1514, instituiu o bispado funchalense. O seu extenso território abrangia todas as terras descobertas pelos portugueses.

 

Assim, a nova Igreja de Santa Maria, mandada construir por D. Manuel, foi erigida em «igreja catedral, com sé e mesas episcopal e capitular e com todas as outras insígnias, honras e preeminências catedrais».

 

A mesma bula designou D. Diogo Pinheiro, vigário de Tomar, como primeiro bispo da recém-criada diocese. Frei Nuno Cão, representante do vigário de Tomar na Igreja de Santa Maria do Funchal, recebeu a dignidade de deão, sendo o primeiro da Sé, consagrada a 18 de Outubro de 1517.

 

Na segunda metade de Quinhentos, três momentos interligados marcaram a novel cidade. Em Outubro de 1566, um saque de corsários, comandados pelo francês Bertrand de Montluc, originou o pânico, a danificação e profanação de vários templos religiosos, numerosas mortes, muitos roubos e a ruína económica de algumas famílias. Mais de um milhão de cruzados foi o que rendeu o saque, em contas da época.

 

Em consequência da incursão dos franceses, estabeleceu-se, na Ilha, a Companhia de Jesus, que, anos mais tarde, fundará um Colégio para doutrinação católica e ensino do Latim, Retórica e Teologia Moral.

 

Igualmente, na sequência do ataque corsário, o rei D. Sebastião enviou, ao Funchal, no ano seguinte, o mestre das obras reais, Mateus Fernandes, a fim de traçar um plano de fortificação da ilha, que previa novas fortalezas e muralhas na cidade.

 

Por fim, registe-se que, nos primórdios da União Ibérica, Filipe II, com receio de que o arquipélago madeirense tomasse o partido de D. António, prior do Crato, estabeleceu, no Funchal, uma nova autoridade, o governador e capitão-general, com funções predominantemente militares, cargo que permanecerá até às reformas liberais de Mouzinho da Silveira, no início da década de trinta do século XIX.

 

Tristão Vaz da Veiga foi o primeiro governador e capitão-geral da Madeira, de direito, assim nomeado para o efeito a 19 de Outubro de 1585, embora, anteriormente, João Leitão tivesse exercido, de facto, o cargo de governador-geral. Na verdade, como pessoa da confiança de Filipe II, João Leitão reuniu, num momento de transição política, as funções de corregedor, provedor da Fazenda, juiz dos órfãos, resíduos, capelas, hospitais e albergarias (2 Janeiro 1582), além de funções militares até à chegada à ilha do conde de Lançarote (29 de Maio de 1582) e depois da sua partida (Novembro 1583).

 

A instituição do governo-geral marcou o fim da relevância política dos donatários da ilha da Madeira. Doravante, as capitanias do Funchal e de Machico representarão apenas honras nobiliárquicas e rendimentos.

 

Diário de Notícias, Funchal, 4 de Maio de 2008

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