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A degradação da Capela de São Paulo, patente há mais de 20 anos, situação oficialmente conhecida e reconhecida, tantas vezes mencionada na imprensa e denunciada por alguns políticos da oposição, deveria merecer uma intervenção urgente e não a vaga intenção de uma candidatura, a elaborar, aos fundos comunitários, para uma obra que a Secretaria Regional do Turismo e Cultura afirma esperar realizar em 2019 e 2020 (Diário de Notícias, Funchal, 27-09-2018, p. 2).

Largo de São Paulo, Funchal. © Foto: Rui Marote, Setembro 2018, Funchal Notícias.

Olhando as ruínas de outras capelas, interrogamo-nos, com tristeza, se idêntico destino estará reservado ao templo fundado por João Gonçalves Zarco ou ao primeiro hospital desta terra.

Celebra-se o Sexto Centenário do Reconhecimento Português do Arquipélago da Madeira com espectáculos e eventos recorrentes do calendário festivo e de animação turística, alguns com qualidade muito duvidosa, como a bem paga encenação de História ao Vivo no Porto Santo, a pretexto de Colombo, ou a insólita debulha do trigo na Festa do Vinho, no centro do Funchal. Todavia, adia-se a recuperação dos lugares que invocam os tempos dos primórdios do povoamento da Madeira.

Por toda a ilha, foram instituídas numerosas capelas, associadas a bens vinculados e morgadios, ou então resultantes da devoção particular dos fundadores. Algumas sobrevivem e integram o nosso Património Cultural, com ou sem classificação. Muitas desapareceram. De outras, restam memórias históricas e toponímicas ou ruínas.

No Funchal, as capelas de São Paulo, de Nossa Senhora do Rosário, na Fundoa, e de Santa Ana, no Caminho das Virtudes, mancham a paisagem e, de certa forma, revelam o estado cultural da Região. Os seus proprietários não as conservaram. A Câmara, as Juntas de Freguesia e o Governo Regional desinteressaram-se ou agendaram o restauro para data inexistente. A comunidade lamenta, mas pouco ou nada reclama.

Capela de São Paulo. © Foto: Rui Marote, Setembro 2018, Funchal Notícias.

A Capela de São Paulo teria sido mandada erguer por João Gonçalves Zarco, o primeiro capitão do donatário do arquipélago da Madeira, na capitania do Funchal. De início, o seu orago era São Pedro.

Junto à capela, foi instituído um hospital, o primeiro do Funchal, edificado em terreno doado por Zarco no ano de 1454. Funcionou durante 15 anos.

A freguesia de São Pedro, fundada em 1566, teve a sua primeira sede nesta capela, e aí se manteve até à edificação da nova igreja, concluída pelos finais do século XVI.

A Capela de São Paulo está encerrada ao culto desde Junho de 2014, devido ao seu estado de degradação. O edifício, que lhe está adossado do lado nascente, também se encontra em ruína, desde a abertura da circular à cota 40, entre o Largo Severiano Ferraz e a Ponte de São João.

Capela de São Paulo. © Foto: Rui Marote, Setembro 2018, Funchal Notícias.

Em 1996, foi anunciada a recuperação destes bens culturais, mas nunca se iniciou a obra. Na verdade, em Abril desse ano, Miguel Albuquerque, então presidente da Câmara Municipal do Funchal, afirmou que as pedras do imóvel histórico, destruído pela cota 40, haviam sido numeradas, e prometeu a sua reconstrução integral (Diário de Notícias, Funchal, 4-04-1996, p. 5). Contudo, nada foi feito. Pelo que se viu depois, não faltou dinheiro, mas sim vontade política.

Os deputados do CDS, em 3 de Setembro de 2015, dirigiram um ofício, à secretária regional da Cultura, Turismo e Transportes, sobre o estado da Capela de São Paulo, solicitando uma intervenção urgente e colocando as seguintes questões:

a) Está planeada alguma intervenção, no sentido de evitar a iminente ruína da Capela de S. Paulo?

b) Que razões ou motivos têm existido para que a recuperação da capela tenha vindo a ser protelada?

c) Estão inventariados os custos necessários para a sua recuperação?

d) Existem ou não formas de cofinanciamento que poderiam ajudar a solucionar o problema e evitar a perda de uma relíquia do património construído da Região?

e) Quando prevê a Secretaria iniciar as necessárias e urgentes obras de recuperação do monumento?

A resposta veio em 10 de Outubro seguinte. Não obstante a Secretaria Regional da Cultura, Turismo e Transportes se ter mostrado ciente do estado de degradação e aludir ao acompanhamento técnico da DRAC desde 2005, nada adiantou sobre a necessária intervenção, justificando-se com «o período de grande contenção orçamental», acentuado desde 2011. Nessa altura, referiu que «eventuais formas de cofinanciamento serão avaliadas no contexto do novo Quadro Comunitário de Apoio.»

A estimativa orçamental do projeto de beneficiação e execução de obras de recuperação, em 2010, era de  195 mil euros. Em Agosto de 2012, só para os trabalhos mais urgentes, decorrentes do agravamento da degradação na cobertura e parede norte da capela-mor, foram estimados € 68 500,00. Hoje, devido ao inexplicável, incompreensível e inadmissível protelamento da intervenção, custará, por certo, muito mais.

Em suma, desde 1996 até hoje, nada! Muitos alertas surgiram na opinião pública, inclusive da nossa parte, mas quem tinha o dever de intervir fazia sempre ouvidos de mercador.

Recordamos, por exemplo, um artigo de Fernão Favila Vieira (1930-2012) no Diário de Notícias, de 6 de Setembro de 2007:

De há muito que a degradação dos edifícios da capela e da casa adjacente vem exigindo nova e importante reparação. Muitos fiéis e clérigos o têm observado, até por ser o facto por de mais evidente. Não se sabe porquê, porém, as obras tardam e por tudo quanto fica dito, compreende-se bem o adensar da preocupação que se gera em quantos amam a capela, a Igreja e a cidade. Agora, depois de uma temporada em Lisboa, esperava encontrar, se não um restauro, como nas igrejas da Sé e do Colégio, ao menos a notícia credível do seu início ou da reunião de meios para o efeito. Nada porém que se veja ou ouça… apenas o silêncio e a estagnação imperam face, para mais, a um agravamento da situação, já patente nas fendas das paredes e no descalabro do tecto que cobre o altar-mor. Pergunto-me porque nem se viabiliza um apelo à generosidade dos fiéis nem se promove a contribuição de um mecenas nem se recorre – como tantas vezes para fins ou negócios de mais discutível utilidade pública – a subsídios da UE ou a outros meios adequados de carácter político-jurídico mais compulsivo. Espera-se o desabar durante uma celebração ou o abandono da capela por ameaça da sua ruína? Aqui deixo, a todos os responsáveis, um alerta amarelo – ou vermelho?!

Apesar de classificada como imóvel de interesse público do Património Cultural da Região Autónoma da Madeira, a Capela de São Paulo vai arruinando-se, bem como a memória do primeiro hospital do Funchal.

Capela de Nossa Senhora do Rosário, Fundoa, São Roque. © Foto: Rui Marote, Setembro 2018, Funchal Notícias.

Irremediavelmente arruinada está a Capela de Nossa Senhora do Rosário, na Fundoa. Situada na margem direita da Ribeira de Santa Luzia, foi fundada em 1668 por João da Paz de Castro, na quinta que possuía neste sítio da freguesia de São Roque. Até à década de 70 do século passado, realizava-se aqui, todos os anos, a festa da padroeira da ermida, no dia 7 de Outubro. Contudo, nos finais do século XIX, a festividade era comemorada em 15 de Agosto, coincidindo com a de Nossa Senhora do Monte.

Em Julho deste ano, foi limpo o matagal da sua envolvência e realizadas escavações, sem qualquer acompanhamento arqueológico. Fala-se que para ali está projectado um edifício. Contudo, ninguém veio a público prestar um esclarecimento.

Capela de Santa Ana, Caminho das Virtudes, São Martinho. © Foto: Rui Marote, Setembro 2018, Funchal Notícias.

Capela de Santa Ana, Caminho das Virtudes, São Martinho. © Foto: Rui Marote, Setembro 2018, Funchal Notícias.

No gaveto do Caminho das Virtudes com a Rua 4 de Abril, encontra-se um solar com capela, bastante arruinado, que há já alguns anos está para venda. Era esta capela dedicada a Santa Ana e foi fundada em 1780, por Agostinho Pedro de Vasconcelos Teixeira. No início dos anos 90 do século passado, ainda se encontrava em razoável estado de conservação, podendo ser observado o respectivo retábulo em talha dourada e policromada, com uma pintura representando Santa Ana, São Joaquim e Maria, na infância, lendo um livro.

Três capelas – São Paulo, Nossa Senhora do Rosário e Santa Ana – estarão todas condenadas ao mesmo destino?

Funchal Notícias. 3 Outubro 2018

https://funchalnoticias.net/2018/10/03/tres-capelas-um-destino/

 

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O abate das árvores da Rua do Bom Jesus tornou mais visível o estado de profunda degradação do Recolhimento do Bom Jesus da Ribeira. Este imóvel classificado do Património Cultural da Região Autónoma da Madeira, reconhecido pelo Governo Regional, nos anos 90 do século passado, como instituição da Diocese do Funchal, não tem merecido a atenção devida, nem do seu proprietário nem da entidade que tutela o património regional.

Depois de realizado o levantamento arquitectónico, artístico e do mobiliário pela DRAC, o Governo Regional manifestou, publicamente, em 1992, a intenção de apoiar a sua recuperação. Mas, desde então, apenas se realizaram, em 1995, obras de restauro na igreja, que ainda hoje se mantém aberta para cerimónias religiosas e concertos nos Festivais de Órgão, apesar de a torre ameaçar ruir.

Recolhimento do Bom Jesus da Ribeira, Funchal. Foto: © Rui Marote, Funchal Notícias, Setembro 2018.

O edifício longitudinal, que serviu de residência das recolhidas, e que se desenvolve, em vários corpos, ao longo da Rua do Bom Jesus, encontra-se devoluto e, progressivamente, vai caminhando para a ruína, pela degradação das suas coberturas e estruturas, muitas infiltrações de águas pluviais e falta de arejamento.

Instituído nos meados do século XVII pelo arcediago da Sé do Funchal, Simão Gonçalves Cidrão, o Recolhimento do Bom Jesus da Ribeira já estava em actividade em 1666, com 25 recolhidas. Tendo por padroeira Nossa Senhora do Carmo, como lembra o registo de azulejos do século XVIII, da fachada nascente, esta casa abrigava «fêmeas arriscadas a enganos do mundo e moças pobres arriscadas», segundo documento daquele ano.

Não se tratava de um convento, mas de um recolhimento, com fins filantrópicos, dirigido por uma regente, eleita cada triénio. Pelos respectivos Estatutos, as recolhidas tinham, diariamente, diversas obrigações religiosas, que cumpriam no coro da capela. Todavia, estas mulheres devotas e recolhidas não estavam afastadas da vida secular.

Com a implantação da República, alterou-se o governo do Recolhimento, passando a depender de uma comissão administrativa nomeada pelo governador civil. Manteve-se, no entanto, a figura da regente, sendo agora nomeada pela comissão. Creio que um dos últimos presidentes desta comissão administrativa foi Luciano Sales Correia, também comandante dos Bombeiros Municipais.

Nos finais do século XX, ainda funcionava como Recolhimento. Lília Bernardes (1956-2016) publicou na revista do Diário de Notícias (31-03-1991) uma reportagem intitulada «Uma casa chamada solidão», que constitui emocionante retrato de uma instituição agonizante: «Trinta e quatro mulheres entre os trinta e os oitenta e muitos anos vivem repartidas por quartos sem o mínimo de condições. Num imóvel nu. Que cai aos bocados. Que range. Que transpira solidão. Medo. Abandono. Fim. O perigo iminente de um incêndio assusta-as. Dorme-se com botijas de gás à cabeceira. O frio gela. Arrepia.»

Recolhimento do Bom Jesus da Ribeira, Funchal. Foto: © Rui Marote, Funchal Notícias, Setembro 2018.

O Recolhimento sobreviveu por mais de três séculos. Já há alguns anos que não vivem ali mulheres marginalizadas pela família ou pela sociedade. Extinguiu-se a instituição de solidariedade social. Contudo, ainda figura no capítulo Obras de Acção Sociocaritativa, na secção Outras, do Anuário da Diocese do Funchal: 2018.

É agora um edifício abandonado. Testemunho de um tempo em que a protecção da mulher desamparada ou fragilizada passava por instituições desta natureza.

Exemplar singelo da arquitectura barroca no centro histórico, em avançado processo de degradação, constitui zona de risco do Funchal, susceptível de ser afectada por um incêndio, com elevadas possibilidades de propagação urbana.

Parte importante do acervo artístico do Recolhimento está hoje à guarda do Museu de Arte Sacra e da Diocese do Funchal, tendo já figurado em exposições como, por exemplo, A Madeira na rota do Oriente (Naveta de prata, séc. XVII; Dormição de São Francisco Xavier, em madeira estofada, policromada e dourada, séc. XVII; Virgem com o Menino, em marfim, de inícios do séc. XVI) e As ilhas do ouro branco: encomenda artística na Madeira: séculos XV-XVI (Anunciação, pintura atribuída a Joos van Cleve, c. 1512-1520). No entanto, ainda se conservam peças com inegável significado artístico na Igreja do Recolhimento.

Virgem Maria com o Menino. Marfim, início do séc. XVI. Igreja do Recolhimento do Bom Jesus da Ribeira. In: ‘A Madeira na rota do Oriente’, Funchal, 2000, p. 85.

A propósito da construção, com uma verba do orçamento regional, de uma réplica da Capela das Babosas, no Monte, destruída pela aluvião de 20 de Fevereiro de 2010, o bispo do Funchal considerou ser tal a «vontade e um grande desejo de todo o Povo de Deus» (26-08-2018). Ora a Diocese do Funchal possui diversos edifícios arruinados, como por exemplo, no Funchal, a Capela de São Paulo, o Recolhimento do Bom Jesus e o Seminário da Encarnação. Não merecerão também estes imóveis amor e projectos de recuperação da parte do Povo de Deus?

Acredito que a Igreja não dispõe de orçamento para recuperar todos os edifícios que detém. Mas talvez o problema maior seja a inércia. Candidaturas a fundos da União Europeia e a outros patrocínios, parcerias, alienações, concessões de exploração a prazo podem constituir estratégias para gerir património que ameaça converter-se em ruínas.

Funchal Notícias. 26 Setembro 2018.

https://funchalnoticias.net/2018/09/26/recolhimento-do-bom-jesus-ate-a-ruina-total/

 

Fazer ouvidos de mercador é dito antigo, que significa fazer-se desentendido, fingir que não percebe ou não ouve o que se diz. Nos dias de hoje, pode aplicar-se, com propriedade, aos políticos que se mostram indiferentes ou surdos perante observações e reclamações pertinentes dos cidadãos.

Julga-se que este aforismo pretendia caracterizar o comportamento dos mercadores de outrora, que simulavam surdez, quando os seus clientes apresentavam propostas de preços mais convenientes, no tradicional regateio das práticas comerciais.

Transposta para o plano da política, a expressão fazer ouvidos de mercador é aqui lembrada face à atitude da Frente MarFunchal, E. M., e da Câmara Municipal do Funchal, quando escrevi no Facebook (27 e 31-08; 2 e 13-09) e neste projecto jornalístico digital (Funchal Notícias, 12-09-2018), sobre o estado da Promenade da Orla Marítima: Lido – Clube Naval, em especial da falta de iluminação na zona do Pestana Promenade.

Dessas «orelhas moucas» exceptua-se o presidente da Junta de Freguesia de São Martinho, que, no dia 27 de Agosto, me informou ter dado conhecimento da situação à CMF, a fim de ser reposta, rapidamente, a iluminação.

Promenade à noite, defronte do Pestana Promenade (18-09-2018).

Na verdade, neste interessante percurso da cidade do Funchal há, actualmente, 24 candeeiros sem luz e um intermitente. Contudo, a situação mais impressionante é defronte daqueles «quartinhos do fundo» do Pestana Promenade, com balcão para o Passeio do Lido, onde a luz eléctrica do exterior parece incomodar os hóspedes.

Promenade à noite, defronte do Pestana Promenade (18-09-2018).

O eventual transtorno poderia, certamente, ser resolvido com as cortinas do tipo blackout cerradas. Garantiriam assim o escurecimento do quarto e poupariam os caminhantes do Passeio do Lido de avistarem hóspedes seminus na cama, enrolados ou a descansar, quando a janela do balcão está aberta e a luz do quarto acesa, num involuntário voyeurismo, tudo num destino turístico que se diz de qualidade, mas que, por vezes, se aproxima do que de pior se pratica por esse mundo fora.

Não quero acreditar nem pretendo insinuar que este fazer ouvidos de mercador se associa a qualquer panelinha. Mas é muito estranho que se teime em manter aquela zona às escuras, depois de já, pessoalmente, ter falado com o administrador da Frente MarFunchal e outro membro desta empresa municipal, no passado dia 31 de Agosto à noite, e de diversos alertas públicos. E após também de, recentemente, terem sido ali recolocados os respectivos candeeiros, agora com focos de luz em vez de globos, como os demais. No entanto, curiosamente um, junto aos «quartinhos do fundo» do Pestana Promenade, nunca está ligado. É, de certeza, do tipo para inglês ver.

O contacto com os cidadãos, percorrendo o território e publicando fotografias sugestivas, bucólicas, cómicas ou ridículas na imprensa ou nas redes sociais, não esgota a tão badalada política de proximidade ou necessidade de auscultação dos eleitores. Cada vez mais, o protesto, a reivindicação, o parecer ou a opinião percorrem os modernos suportes de difusão da informação. Há, pois, que lhes conceder importância e o devido tratamento.

Com ouvidos de mercador não se constroem caminhos de confiança. Para o cidadão, aquilo que verdadeiramente interessa é a resolução dos problemas pela autarquia ou a empresa municipal, inclusive as pequenas coisas, como a iluminação do Passeio do Lido.

Funchal Notícias. 19 Setembro 2018

https://funchalnoticias.net/2018/09/19/fazer-ouvidos-de-mercador/

 

Passeio do Lido

O Passeio do Lido, também denominado de Promenade da Orla Marítima: Lido – Clube Naval, é um lugar de eleição da freguesia de São Martinho do concelho do Funchal. Desde 1999, madeirenses e forasteiros usufruem de um aprazível espaço público para caminhar ou passear. Numerosas pessoas passam por ali todos os dias, contemplando o mar e praticando salutar exercício físico.

Promenade da Orla Marítima: Lido – Clube Naval.

Este Passeio deveria ser a «menina dos olhos» do município funchalense, no que diz respeito à promoção do lazer, da prática regular de caminhadas para manutenção da saúde e da atracção turística. Contudo, apesar da localização privilegiada, dos bons ares e da bonita paisagem, nem sempre tem merecido a devida atenção. E, ultimamente, o descuido é notório.

Os jardins estão mal cuidados. Ervas daninhas e folhas secas abundam por ali. Faltam plantas floridas. A poda é pouco frequente e irregular. A remoção da folhagem seca acontece só de tempos a tempos. Alguns canteiros beneficiam somente de água quando chove, outros, devido a avarias do sistema de irrigação por aspersão ou outras anomalias, transformam-se, nalgumas partes, em ambiente ideal para plantas aquáticas e mosquitos.

A praia do Gorgulho, danificada pelos temporais, foi votada ao abandono. Apesar de estar interditada por razões de segurança, ainda é frequentada por alguns banhistas. Poderá a Câmara alegar falta de verbas para investir na reconstrução desta infraestrutura, mas as importâncias despendidas em publicidade inútil na imprensa e outros eventos festivos, por certo poderiam aqui ser aplicadas. Urge limpar a imagem de degradação do Gorgulho.

Praia do Gorgulho.

Nota positiva para o projeto de recuperação do antigo Cais do Carvão, embora devesse ali ser exibida informação sobre o mesmo. Um esquisso ou fotografia de um desenho ou maqueta seriam úteis. Quem, diariamente, observa o decurso da obra, interroga-se sobre o que ali nascerá.

Promenade à noite, defronte do ‘Pestana Promenade’ (11-09-2018, 22:11).

Problema, para quem caminha neste Passeio à noite, é o estado da iluminação. Há 13 candeeiros apagados e um com luz intermitente. Faltavam, até à semana passada, dois candeeiros defronte do «Pestana Promenade» (alçado sul). Situação que durou longos meses, com a instalação eléctrica a descoberto. Foram já colocados, depois do nosso alerta no final de Agosto. Mas engana-se quem concluir que, com isso, este troço da «Promenade» ficou iluminado.

Candeeiro recentemente colocado junto ao ‘Pestana Promenade’ com foco de luz.

Pormenor do candeeiro recentemente colocado junto ao ‘Pestana Promenade’, mas que não funciona.

Os dois candeeiros, recém-montados, são inadequados para a iluminação de zonas pedonais. Destoam dos demais, com globos que permitem maior difusão da luz. Bem diferentes dos restantes daquela zona, apresentam focos direccionados para o muro ou o solo, presos, improvisadamente, com fios ou cabos eléctricos. Um ilumina os anúncios publicitários de uma loja que ali vende percursos turísticos na ilha, terrestres e marítimos. O outro é decorativo. Simplesmente não acende à noite. Talvez para não dar claridade para aqueles «quartinhos do fundo», do «Pestana Promenade», com balcão para o Passeio do Lido, onde, por vezes, também os hóspedes estendem toalhas de banho do dito hotel, numa inspiração ecológica ou do tipo bairro social.

Não basta dizer que os dois candeeiros foram repostos. Quem, de direito, deve, à noite, passar por lá ou enviar um fiscal, para verificar se aquilo está bem. E não continuar naquela política de atirar areia para os olhos do cidadão interveniente e activo.

Candeeiro do Passeio Público do Lido.

A falta de iluminação poderá pôr em risco a segurança dos que caminham ou passeiam naquela zona. Os assaltos aqui não constituem facto inédito.

Por vezes, encontramos turistas, sobretudo idosos, com as lanternas dos seus telemóveis ligadas, não vá uma irregularidade do piso provocar indesejada queda em tempo de férias. Mas sempre se mostram divertidos com aquela experiência na ilha, no Passeio mais belo desta cidade, que pela noite se cobre parcialmente de breu, episódio que, provavelmente, recordarão e contarão com escancarados sorrisos à família, amigos e conhecidos.

Outro obstáculo, em algumas partes do Passeio do Lido, é o alargamento das esplanadas, quando a clientela é grande. Há sempre lugar para mais mesas e cadeiras, atempadamente aprovisionadas e resguardadas num canto, mas sempre prontas para ampliar o negócio. E quem deseja passear ou fazer a sua habitual caminhada que mude de rumo, «porque ali é do restaurante», grita o assalariado a contento do patrão, mas não inocentemente, pois a sua lógica é a de mais mesas mais gorjetas.

Cadeiras e mesas disponíveis para alargar a área da esplanada.

No Passeio do Lido, há também uma gataria, para gáudio de nacionais e estrangeiros, que, avaliando o grau civilizacional do ilhéu que ali abandonou os seus bichanos, deles se compadecem com mimos e comida. Já foram mais. Hoje, em todo o percurso, são talvez uns quinze. Mas sempre ajudam a afugentar os ratos. Pena é não terem o mesmo efeito sobre as baratas.

Contudo, pior que as pragas urbanas (ratazanas e baratas) são as pragas humanas. Refiro-me a uns vândalos (não germânicos) empenhados na destruição de papeleiras e outro mobiliário urbano, o que acarreta novas despesas. Faz falta o policiamento da zona.

Este Passeio, pelas suas características e potencialidades, deveria merecer da Frente MarFunchal, E. M., Câmara Municipal do Funchal e Junta de Freguesia de São Martinho atenções redobradas, para evitar a sua degradação, por falta de manutenção ou zelo ou, ainda, pela subserviência a interesses particulares.

Funchal Notícias. 12 Setembro 2018

https://funchalnoticias.net/2018/09/12/passeio-do-lido/

Observando… e reflectindo publicamente:

«Temos uma cidade ‘amiga’ do residente?

Entendendo a cidade do Funchal como uma parte do território municipal, e não a sua totalidade, como agora se costuma fazer, considero que essa dita amizade deveria ser recíproca: os funchalenses mantendo uma relação cívica íntima e afectiva com a sua cidade e esta a proporcionar aos residentes um grau elevado de bem-estar e conforto. Infelizmente, nem sempre isso acontece, de um lado e de outro. A destruição do património cultural e natural, a ocupação de passeios e artérias com esplanadas, o «abonecamento» dos espaços urbanos e respetivo mobiliário, a falta de lugares de estacionamento para automóveis em zonas de serviços especiais, como a Loja do Cidadão ou os CTT, a ocupação do litoral, vedando o livre acesso ao mar, o estado de abandono de alguns lugares emblemáticos, caso da praia do Gorgulho, a falta de tratamento de alguns espaços verdes e jardins, o abate injustificado de árvores, os inestéticos letreiros publicitários nas zonas históricas … a acumulação de lixo, a pedincha, o aliciamento agressivo para consumo em restaurantes, os sem-abrigo, a desinformação, são factores negativos. Por outro lado, muitos funchalenses pouco se interessam pela sua cidade, desconhecem a sua História e o seu Património, não respeitam regras mínimas de civismo, nem o ambiente ou a paisagem. Apesar de tudo isto, ainda se vive bem na cidade do Funchal, em paz, com segurança e a presença do mar, mas poderia ser melhor, com maior zelo e mais cuidado.

 Que futuro para o Funchal?

O futuro da cidade do Funchal passa por conciliar a sua memória histórica com o progresso, intervindo na recuperação arquitetónica, com respeito pela traça dos edifícios e da sua envolvência, e deixando em sossego o que está bem (Praça do Município, por ex.), evitando postiços desnecessários em nome de uma falsa animação e uma gananciosa «esplanadização». Igualmente, há que diminuir a poluição, «tratar» das zonas altas, tornando-as menos vulneráveis à pluviosidade intensa ou aos incêndios, reflorestar as nossas serras com espécies da Laurissilva ou mais resistentes aos fogos, reparar as muitas vias que se encontram em mau estado e procurar resolver muitos dos problemas sociais, nomeadamente os relativos à habitação e ao isolamento de idosos e doentes, que vivem sós em becos e veredas.»

Diário de Notícias. Funchal. 142: 46 734 (19 Agosto 2018) 6

 

«O número elevado de prédios devolutos no Funchal constitui uma ameaça à cidade, porque são zonas de risco, vulneráveis a incêndio e abrigo da delinquência. Esse problema, comum em outras cidades, deve-se, na maioria das vezes, ao facto de os herdeiros não chegarem a consenso sobre a venda ou não terem capital para o investimento necessário tendo em vista a rendibilização do imóvel. Há também casos em que é difícil identificar e reunir todos os herdeiros.

A crise do comércio tradicional e a proliferação de bares e restaurantes em zonas, onde outrora havia residências, descaracterizam o Funchal, que se apresenta como uma cidade cada vez com menor número de moradores e um maior número de tascas ou bares.

Há que inverter esta situação para travar o despovoamento da cidade.

Não interessa uma cidade de esplanadas movimentadas, mas sem residentes. A animação da cidade tem de contar com os que habitam no espaço urbano, e não com prédios apenas ocupados nos pisos térreos com restaurantes e esplanadas a ocupar a via pública, parcial ou totalmente.

Toda a intervenção na cidade deveria ter em conta a sua memória histórica. Caso contrário o Funchal mostrar-se-á uma cidade pouco atractiva, desinteressante mesmo. A zona de Santa Maria, por exemplo, hoje é um mau exemplo do que é uma zona histórica, embora para ali confluam diariamente muitas pessoas e ali se façam bons negócios. Mas como zona histórica é um logro, pois a memória histórica vem sendo ocultada por inestécticos toldos, mesas e cadeiras.»

 

Funchal Notícias. 21 Agosto 2018

https://funchalnoticias.net/2018/08/21/funchal-uma-cidade-bela-mas-tambem-cheia-de-obras-betao-esplanadas-arvores-cortadas-e-predios-devolutos/

 

Por ocasião das celebrações do Dia da Região Autónoma da Madeira, o presidente do Governo Regional anunciou, como quase certa, a deslocação do presidente da República à ilha do Porto Santo no 1.º de Novembro próximo, porque nesse dia irão «assinalar os 600 anos da descoberta e colonização do Porto Santo».

Deixemos a segunda questão, mas não secundária: a colonização do Porto Santo. Não sendo uma ilha habitada, por altura da ocupação portuguesa, devemos sempre falar em povoamento e não em colonização.

Mais importante é, contudo, tentar compreender a obsessão de alguns porto-santenses pelo 1.º de Novembro. Parece que foram os rotários locais que fizeram dessa data o Dia do achamento do Porto Santo, no que foram secundados pela Câmara Municipal, não há muitos anos.

Em que se fundamenta esta efeméride? Por diversas vezes, tenho feito esta pergunta publicamente, mas nunca me chegou resposta.

Qualquer pessoa tem o direito de festejar uma data da sua vida quando quiser, sem ter que apresentar o cartão do cidadão ou qualquer certificado. Mas uma data histórica, que envolve uma comunidade e tem objectivos cívicos e pedagógicos, requer documentação.

Com efeito, não se sabe, com certeza, a data da chegada dos navegadores portugueses ao arquipélago da Madeira, já conhecido e representado na cartografia da segunda metade do século XIV.

A historiografia, cruzando diversas fontes documentais, aponta os anos de 1419 ou, ainda melhor, 1420, como os mais próximos do acontecimento.

Jerónimo Dias Leite, seguindo uma fonte do século anterior, escreveu em 1579: «Partidos de Lisboa com vento próspero no mês de Junho, vieram demandar o Porto Santo, ao qual chegaram em poucos dias…»

Logo, para o primeiro cronista madeirense, o dito «achamento» ocorreu em Junho. Sublinhe-se que, pelos finais do século XV, Francisco Alcoforado indicara o mesmo mês.

Então, por que razão optaram os rotários porto-santenses pelo 1.º de Novembro?

Como, apesar da minha insistência nos últimos anos, nunca me responderam, vou tentar perceber a pretensa razão da escolha do Dia do achamento.

Parece que se socorreram, directa ou indirectamente, do relato de Alvise de Cá da Mosto [Luís de Cadamosto]. Este navegador veneziano visitou e descreveu o arquipélago da Madeira em 1455. Acerca do Porto Santo, afirmou: «Esta ilha é chamada Porto Santo, porque foi descoberta pelos portugueses no dia de Todos os Santos…»

Como ficou claro, Cadamosto, para explicar o significado do topónimo Porto Santo, associou-o a uma solenidade do calendário católico, o Dia de Todos os Santos, comemorado anualmente em 1 de Novembro.

O devaneio do veneziano nunca foi valorizado pelos historiadores, porque, muito simplesmente, a ilha já era denominada de Porto Santo, pelo menos cinquenta anos antes da viagem de Zarco e Tristão. Na realidade, o topónimo consta de mapas e crónicas desde a década de 1370. Cai, assim, por terra a fantasia de Cadamosto e também a de quem o quis seguir na actualidade.

Na História do Porto Santo há, porém, uma outra importante efeméride em 1 de Novembro. De facto, em 1446, nesse dia, foi assinada a carta de doação da capitania do Porto Santo a Bartolomeu Perestrelo. Todavia, a instituição da capitania corresponde a uma fase adiantada do povoamento da ilha e não serve para o tal dia do achamento.

Poderão os mais ingénuos invocar ainda a tradição, mas esta também se fabrica, de modo que nunca prevalece, face a uma fonte credível.

Em suma: que eu saiba, não há justificação histórica para a comemoração do Dia do achamento da ilha do Porto Santo em 1 de Novembro. Muito menos para falar em 600 anos em 2018, como, estranhamente, se tem feito, na senda da historiografia do século XIX.

Mais correcto seria festejar em Junho, com base na Relação de Francisco Alcoforado e na crónica de Jerónimo Dias Leite, fontes que, aliás, alicerçaram o Dia da Região Autónoma da Madeira, celebrado em 1 de Julho, desde 1980.

 

Funchal Notícias. 18 de Julho de 2018

https://funchalnoticias.net/2018/07/18/descobrimento-do-porto-santo/

 

 

«Contencioso da autonomia» foi um conceito gerado no tempo dos governos do Dr. Jardim, e provavelmente da sua autoria, que pretendia traduzir a dialéctica ou as tensões decorrentes de aspirações e reivindicações da Região Autónoma, não aceites nem satisfeitas, pelo menos no imediato, pelo Estado Português. Algumas vezes, o conceito atingiu a conotação máxima – contencioso do aprofundamento da autonomia –, como, por exemplo, em 2014, quando se reivindicava um novo modelo do sistema autonómico (Diário de Notícias, Funchal, 20-09-2014, p. 13).

Nem sempre a Região beneficiou desse clima de permanente confronto, chegando-se mesmo a situações bizarras, mas a verdade é que muito do que se conseguiu, no âmbito da autonomia ou no domínio financeiro, se deve à capacidade de reivindicar com firmeza e de apresentar projectos credíveis.

Neste contexto de afirmação da identidade regional, elevou-se o nível de auto-estima dos porto-santenses e madeirenses, sobretudo pelo melhoramento das suas condições de vida e o reconhecimento nacional e internacional de muitos projectos e eventos regionais.

Continuam hoje muitas questões pendentes entre os Governos Regional e da República, que o «murro na mesa» de Paulo Cafôfo (JM, 12-04-2018) ou a última visita do Primeiro-Ministro ao Funchal (21-05-2018) não conseguiram resolver, com prejuízo dos madeirenses e porto-santenses, porque, na realidade, António Costa, como líder do PS, tem objectivos definidos para as eleições na RAM e um calendário adequado aos seus propósitos.

Depois de uma ardilosa substituição da liderança socialista na RAM, abriu-se uma passadeira rosa para o presidente da Câmara do Funchal, como candidato a presidente do Governo Regional nas próximas eleições legislativas, que, assim, deu o dito por não dito quanto ao cumprimento do mandato autárquico, defraudando a maioria dos funchalenses.

Na qualidade de candidato, falou no último Congresso Nacional do Partido Socialista (26-05-2018), realizado na Batalha, o que tem tanto de curioso como de significativo.

Curioso, porque, na reunião magna de uma organização partidária, abriu-se a tribuna a um não filiado, que se apresenta como candidato do mesmo partido às eleições de uma Região Autónoma, cabendo papel menor ao presidente do PS-Madeira, situação previsível e com natural propensão para acentuar-se.

Dessa intervenção nenhuma ideia interessante para a governação regional ressumou, tendo apenas sobressaído a vontade de inscrever António Costa na História, como o Secretário-Geral do PS que venceu eleições nas duas Regiões Autónomas.

Revela-se também significativo, porque o percurso foi feito ao contrário do habitual. Em vez de ser um líder de uma força partidária da RAM que, pela sua militância e programa, se afirma no Congresso do seu partido, trata-se, sim, de um candidato, dito independente, com popularidade no Funchal e que venceu duas eleições autárquicas liderando coligações, que o Secretário-Geral do PS astutamente catapultou para a disputa das regionais. Compreende-se, assim, a vontade de Paulo Cafôfo em retribuir tal gesto com a inscrição de António Costa na História.

Todavia entre o querer e o ser há um longo caminho, onde a passadeira rosa e a dialéctica periferia/centro terão de se confrontar.

Não acredito em projectos de poder para a periferia, arquitectados no centro, embora preveja que a máquina da propaganda, abrigada na Casa do Concelho, será reforçada com artilharia pesada para convencer ou domar o eleitorado, agitando, até à exaustão, o enganador voto útil.

A nós, madeirenses e porto-santenses, caberá distinguir entre a força da propaganda, aliada aos grupos económicos que emigraram da Rua dos Netos para o Largo do Colégio ou que jogam nos dois tabuleiros, e os verdadeiros interesses desta Região. Convém não alinhar com o artificial. Por vezes, o pechisbeque faz-se passar por metal precioso. Prudente é mesmo não contribuir para maiorias soberbas, de má memória na história.

À própria dinâmica da autonomia está, intrinsecamente, associado o contencioso. Muito do que temos hoje veio a ferros. Sempre foi assim! Não parece, por isso, estar enterrada tal dialéctica, ainda que a passadeira rosa se venha a apresentar com mil e uma promessas de mágica solução de todos os nossos problemas, numa programada colonização, seiscentos anos depois do povoamento deste arquipélago.

Extinguiu-se aquela imagem estereotipada do caseiro de cabeça vergada na porta dos fundos da casa do seu senhorio. Mas diferentes mesuras ou agachamentos foram entretanto sendo cultivados e novos procuram agora implantar, com uma sofisticação nunca antes vista e até uma porçãozinha de filosofia de trazer por casa.

Na verdade, já vão cansando os jogos de poder que penalizam as sociedades insulares, fazendo sempre depender a resolução de determinados assuntos regionais das estratégias e dos calendários partidários definidos em Lisboa.

Funchal Notícias. 5 Junho 2018

O contencioso da autonomia e a passadeira rosa