Amar a quem me aborrece, é ser humano com quem o não é comigo: aborrecer a quem me ama, é ser cruel com quem mo não merece: o ser humano é ser homem; o ser cruel é ser fera: logo aborrecer a quem nos ama, tanto mais dificultoso é, quanto mais repugnante à natureza.
Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma, Lisboa, no Convento de Odivelas, 1644, § III
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O tempo tira ao amor a novidade, a ausência tira-lhe a comunicação, a ingratidão tira-lhe o motivo.
Sermão do Mandato, Lisboa, na Igreja do Hospital Real, 1643, § V
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Sabeis porque vos querem mal vossos inimigos? Ordinariamente é porque vêem em vós algum bem que eles quiseram ter, e lhes falta.
Sermão da Primeira Sexta-Feira da Quaresma, Lisboa, na Capela Real, 1649, § III
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Nascer pequeno e morrer grande, é chegar a ser homem. Por isso nos deu Deus tão pouca terra para o nascimento, e tantas para a sepultura. Para nascer, pouca terra; para morrer toda a terra: para nascer, Portugal: para morrer o mundo.
Sermão de Santo António, Roma, na Igreja de Santo António dos Portugueses, 1670, § IV
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A maior miséria da vida humana (outros dirão outras) eu digo que é não haver neste mundo de quem fiar.
Sermão Terceiro – Confiança, § I
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[…] os corpos se retratam com o pincel, as almas com a pena.
Sermão Quarto – Pretendentes, § II
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O maior jugo de um reino, a mais pesada carga de uma república, são os imoderados tributos. Se queremos que sejam leves, se queremos que sejam suaves, repartam-se por todos. Não há tributo mais pesado que o da morte, e contudo todos o pagam, e ninguém se queixa; porque é tributo de todos.
Sermão de Santo António, Lisboa, na Igreja das Chagas, 1642, § IV
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Pinta-se o amor sempre menino, porque ainda que passe dos sete anos, como o de Jacob, nunca chega à idade de uso de razão. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se juntam. A alma de um menino que vem a ser? Uma vontade com afectos e um entendimento sem uso. Tal é o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o primeiro rendido é o entendimento. Ninguém teve a vontade febricitante, que não tivesse o entendimento frenético. O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tresvariar, se é amor. Nunca o fogo abrasou a vontade, que o fumo não cegasse o entendimento. Nunca houve enfermidade no coração, que não houvesse fraqueza no juízo. Por isso os mesmos pintores do amor lhe vendaram os olhos.
Sermão do Mandato, Lisboa, na Capela Real, 1645, § II
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Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba. Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera?
Sermão do Mandato, Lisboa, na Igreja do Hospital Real, 1643, § III
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A natureza e a arte curam contrários com contrários.
Sermão do Mandato, Lisboa, no Hospital Real, 1643, § V
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A mais poderosa inclinação, e o maior apetite do homem, é desejar ser. […] Não está o erro em desejarem os homens ser; mas está em não desejarem ser o que importa.
Sermão de Todos os Santos, no Convento de Odivelas, em 1643, § II
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Chegai-vos embora aos grandes; mas não de tal maneira pegados, que vos mateis por eles, nem morrais com eles.
Sermão de Santo António, Maranhão, 1654, § V
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A cegueira que cega cerrando os olhos, não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos, essa é a mais cega de todas: e tal era a dos escribas e fariseus.
Sermão da Quinta Quarta-Feira da Quaresma, Lisboa, na Misericórdia, 1669, § II
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Esta é a razão por que a mentira é filha primogénita do ócio: vede como se forma dentro em vós mesmos este monstruoso parto. Quem está ocioso, não tem mais que fazer que pôr-se a imaginar: da ociosidade nasce a imaginação, da imaginação a suspeita, da suspeita a mentira.
Sermão da Quinta Dominga da Quaresma, S. Luís do Maranhão, na Igreja Maior, 1654, § III
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Os homens só os distingue a virtude, e não há mais que dois géneros de gente neste mundo: bons e maus. Só o que está dentro de nós, nos pode distinguir intrínseca e verdadeiramente, e este é o vício ou a virtude; tudo o mais são coisas que ficam de fora; podem mudar as aparências, mas não distinguir as pessoas.
Comento ou Homilia sobre o Evangelho da Segunda-Feira da Primeira Semana da Quaresma, § V