Colóquio Internacional
A História da Imprensa e a Imprensa na História: o contributo dos Açores
Ponta Delgada, Universidade dos Açores, 28 a 30 de Maio de 2009
«A educação da mulher segundo a imprensa madeirense: de meados de Oitocentos ao início do século XX»
Nelson Veríssimo
(Universidade da Madeira)
RESUMO
Em Portugal, a Constituição de 1822 determinou o estabelecimento de escolas para ambos os sexos em todos os lugares do Reino onde conviesse, para que se ensinasse a mocidade portuguesa a ler, escrever, contar e o catecismo das obrigações religiosas e civis.
Contudo, só na década de 1840 se verificou a propagação da instrução primária para o sexo feminino no nosso país.
O acesso generalizado das meninas à escola pública foi dificultado pela falta de estabelecimentos de ensino e pela oposição dos pais, que invocavam necessidades da economia doméstica ou resistiam aos «perigos» da educação das suas filhas, temendo virem a ser menos submissas e, por conseguinte, pouco reputadas para o casamento.
A imprensa teve papel relevante na promoção da educação da mulher, difundindo novas ideias e sensibilizando a opinião pública para a necessidade da frequência da escola, por ser esta pouco significativa face ao número de crianças recenseadas. Colaborou também com as autoridades na difusão da informação oficial e deu voz aos anseios das populações na instituição de novos estabelecimentos de ensino.
Por vezes, crítica em relação ao rumo da educação para o sexo feminino, outras bem mais avançada do que as práticas vigentes, a imprensa revela-se, indiscutivelmente, uma fonte fundamental para o estudo deste interessante capítulo da História da Educação.